Stefhanie Vidal cursa o 4º período do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Stefhanie Vidal cursa o 4º período do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Acre (Ufac). Perdeu a visão aos 17 anos por causa de um coágulo na cabeça que atingiu o nervo ótico.  “Foi muito difícil ter que me readaptar porque eu já era uma pessoa independente, já trabalhava”, conta. “Depois, precisei aprender tudo de novo.”

A estudante começou dois cursos, História e Inglês, mas não os concluiu. Pedagogia foi o terceiro curso. E no início das aulas do segundo semestre de 2018, Stefhanie encarou um grande desafio: mesmo sem enxergar, aprender a língua brasileira de sinais (Libras), disciplina obrigatória na grade curricular do curso de Pedagogia.

“Eu não sabia que existia um método para aprender Libras sem enxergar. Eu achava que era a coisa mais impossível, que não tinha como”, relata. “Quando soube que existia uma possibilidade de aprender, me dediquei muito porque tinha certeza que ia ser muito difícil.”

A professora de Libras, Nina Rosa, explica que Stefhanie é o segundo caso em que houve a necessidade de ensinar Libras para um aluno cego. Diante do desafio, a coordenação do curso de Pedagogia e a equipe do Núcleo de Apoio à Inclusão (NAI) aplicaram, pela primeira vez na Ufac, o método de ensino de Libras tátil, com ajuda do intérprete João Xavier.

“É a primeira vez que estou tendo a oportunidade de participar desse desafio, que é trabalhar com Libras tátil. Quando a professora Nina Rosa me procurou e explicou a situação, tomei um susto”, diz João. “Mas topei o desafio e fui aprender, porque esse foi um momento de aprendizagem. E toda aula de que participamos, aprendemos algo novo; é sempre uma estratégia nova.”

Depois de aprender a comunicação básica em Libras, Stefhanie pretende continuar pesquisando, em seu trabalho de conclusão de curso e em posteriores cursos de pós-graduação. 

O método de Libras tátil foi desenvolvido para pessoas com surdocegueira. Na Ufac, a língua de sinais ensinada através do tato é ministrada para alunos que não enxergam, mas ouvem. A proposta é fazer com que esses alunos possam ensinar outras pessoas.

Ascom/UFAC

http://www.ufac.br/site/noticias/2018/aluna-cega-de-pedagogia-aprende-libras-atraves-do-tato