Cotidiano

O que dizem os resultados? A vida não se encerra na eleição

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Uns vencem, outros perdem; assim funciona o jogo democrático. Ao longo de segunda-feira, vi muitas pessoas comemorarem os resultados para os cargos de Presidente, Governador, Senador e Deputados Estaduais e Federais.

Confesso que me impressiona tamanha vibração. A euforia assemelha-se à aprovação em um concurso público, ao nascimento de um filho, à conquista de grandes voos na vida ou à cura de uma doença grave. É algo quase surreal. Contudo, compreende-se: trata-se da celebração daqueles que saíram vitoriosos.

Por outro lado, quem participa do processo eleitoral conhece os meios dos quais muitos se valem para vencer. Sabe o valor de cada agente envolvido e compreende que o “mérito” por trás desses resultados talvez não seja tão digno de tamanha emoção. Ainda assim, caro leitor, eles venceram.

Por falar nisso, é admirável a dedicação dos cabos eleitorais, comissionados eleitorais, apadrinhados eleitorais, o cidadão fica longe: o empenho de sol a sol, sob chuva ou calor. No entanto, sabemos que esse esforço nem sempre é desinteressado ou puramente democrático; muitas vezes, é o poder econômico em plena ação. Trata-se da “democracia” movida pelo desejo de obter ganhos do Estado (no sentido geral) sem o devido trabalho, de conseguir jornadas reduzidas, privilégios e assim por diante.

A caminho dos 40 anos, este autor já viu muitos vencerem e não levarem. Viu, repetidamente, o embarque na “segunda” ou na “terceira balsa”. Meus amigos perguntavam o significado dessa metáfora: trata-se da expectativa de poder frustrada, uma dor que parece ser ainda mais profunda do que a derrota das urnas.

Mas nada de lamúrias; a vida segue. Quem perdeu vivencia o seu luto interno para, em seguida, erguer-se, refletir e recolocar as mãos à obra. Já quem venceu — e venceu de fato — tem todo o direito de comemorar, mas deve recordar-se de que, ao assumir uma função pública, há leis e princípios fundamentais a serem rigorosamente seguidos.

Viva a Democracia!

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