Representantes do Ministério da Saúde apresentam impacto do aborto no Brasil

Maria de Fátima Marinho de Souza, da Secretaria de Vigilância em Saúde, apresentou um panorama do aborto inseguro no país e afirmou que, apesar de todo o esforço do Ministério da Saúde, “a carga desse tipo de aborto é extremamente alta”.

Duas representantes do Ministério da Saúde iniciaram nesta sexta-feira (3) as apresentações na audiência pública realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Primeira a falar, a coordenadora de saúde da mulher, Mônica Almeida Neri, ressaltou que a mortalidade materna é um importante desafio para o Brasil. Segundo ela, atualmente o aborto começa a se apresentar como a terceira causa direta desse tipo de morte.

“A mortalidade materna é um importante desafio para este país e que continua com suas causas evitáveis em mais de 90%”, disse. Ela acrescentou que o país se comprometeu em reduzir 50% da mortalidade materna até 2030 e afirmou que o Ministério da Saúde desenvolve diversas ações estratégicas focadas na humanização da atenção às mulheres em situação de abortamento e no desenvolvimento de ações estratégicas para a saúde sexual e reprodutiva.

Maria de Fátima Marinho de Souza, da Secretaria de Vigilância em Saúde, apresentou um panorama do aborto inseguro no país e afirmou que, apesar de todo o esforço do Ministério da Saúde, “a carga desse tipo de aborto é extremamente alta”. Segundo ela, uma em cada cinco mulheres no Brasil já se submeteu a aborto. “A estimativa do Ministério da Saúde é que ocorram, por ano, cerca de 1 milhão de abortos induzidos, que independe da classe social”. De acordo com Maria de Fátima, o que depende da classe social é a gravidade e a morte. Nos últimos dois anos, afirmou, 2 mil mulheres morreram por esse motivo. “Quem mais morre por aborto no Brasil são mulheres negras, jovens, solteiras e que têm até o ensino fundamental. Essa mortalidade por aborto inseguro atinge mais as mulheres vulneráveis”, frisou.

STF