Assisti dois vídeos. O primeiro era uma seleção da parte final do depoimento do ex-presidente Lula ao Juiz Federal Sérgio Moro na justiça de Curitiba. Nesse vídeo Lula estava com as considerações finais e fazia questão de citar o número de vezes que a Globo e o grupo Abril trouxeram informações sobre os seus atos.

O juiz fazia alguns questionamentos e tentava explicar (sem êxito) o que seria considerações finais ou alegações, enquanto Lula insistia no discurso político de se vitimizar, o que sabe fazer muito bem. O segundo vídeo foi um resumo dos anúncios de resultados das eleições das quais os petistas Lula e Dilma foram eleitos e tomaram posse. Essa última cassada. A maioria das matérias se trata de plantões e edições do jornal nacional noticiando os acontecimentos históricos, o que é papel da imprensa. A certeza de que a imprensa sempre será culpada eu tive quando comecei a escrever algumas linhas através de meu blog e noticiar alguns fatos ou críticas que desagradaram pessoas próximas ou que tiveram uma amizade.

Na maioria das vezes ou tentavam me processar, me achincalhavam nas redes ou mesmo me levaram na delegacia ou no fórum da cidade. Depois disso eu apreendi a ouvir os dois lados, pois foi o tempo que também avancei no curso de jornalismo. Mais nunca, nunca ninguém que teve uma notícia escrita e publicada de forma a lhe exaltar chegou e agradeceu, agora quando se tratou de críticas, embora que se ouvisse os dois lados, o nariz ficava ou fica torcido para o lado do jornalista ou a imprensa, esquecendo-se “o noticiado” ou “noticiada” que tudo faz parte de um papel singular de relatar acontecimentos. Com a justiça, o resultado demorou alguns anos para compreender o papel extraordinário de pacificação da sociedade e a punição dos erros que afrontem a ética e os valores fundamentais.

É senso comum que a justiça se realiza quando ela nos beneficia (individualmente) e quando não, a consideramos injustiça. Nenhum homem que terá de sofrer uma sanção da lei vai entender que está sendo aplicado o critério de justiça, de balizamento de direitos e obrigações. Se o jornalismo tem uma visão descritiva dos fatos, não sendo facultativo aos profissionais de imprensa o envolvimento com suas pautas jornalísticas, aos magistrados e outros responsáveis pela aplicabilidade das leis, esse é critério primordial para uma visão panorâmica dos fatos, deixando então de lado o “amor”, sentimento que gera preferência e tomada de posição diante dos acontecimentos. Os aplicadores das leis e os narradores dos fatos sempre sofrerão a acusação de tomar uma posição, o que não é inverdade, agora para a formação de um juízo (no caso de magistrados) são usados critérios e metodologias. Aos narradores dos fatos, sempre haverá o questionamento quando aquilo que se notícia prejudica interesses pessoais.

Existirá sempre esse conflito entre a metodologia científica usada no jornalismo e no direito e o senso comum, já que não se trata de ciência e sim de achismos.

Gilberto Moura

Jornalista