Editorial: População quer mudanças na forma de fazer política

Gilberto Moura – Especial para o Portal Quinari

Na última eleição presidencial os eleitores votaram em Jair Messias Bolsonaro como uma forma de combater os grupos do PT e do PSDB. Na verdade, a população se dizia chateada com a classe política, porém era enganada por um deputado federal inexpressivo de quase 20 anos de mandato na Câmara Federal. Desta sorte, esse produto do momento, técnica de marketing político deu certo. Talvez somos imediatistas.

No Acre o povo votou em Gladson Cameli, como forma de combater o petismo que tinha 20 anos de poder. Parece que depositou suas esperanças em um governo de oposição, agora situação, que nem mesmo em seus programas eleitorais fez promessas mirabolantes, já prevendo o futuro. Assistimos todos os programas de campanha postados no facebook. Hoje uma imensidão de pessoas querem cargos no governo. A crítica não é nem tanto social, é pessoal mesmo. Não é por menos que atônitos acompanhamos “fulaninho que era petista foi nomeado com salário x”.

Chego ao Quinari com fatos que parecem rapidamente esquecidos. No pleito de 2016 os eleitores elegeram André Maia, com uma diferença para a segunda colocada, de pouco mais de 300 votos. Foi uma eleição acirrada. Logo no início André Maia de cara contou com oposição firme de 5 vereadores. Às vezes 6. Contudo, governou por 2 anos.

No dia 13 de dezembro de 2018, uma operação da Polícia Federal prendeu o Prefeito, parte de seus secretários e conduziu vereadores até a sede da PF. Várias são as denúncias e acusações que até hoje são apuradas e terão desfecho no judiciário.

É de se perceber, no caso Quinari, que em sua história é o segundo caso de Prefeito afastado pela Justiça. Por outro lado, metade da Câmara também se encontra enrolada, sendo inclusive denunciada no processo.

Em consequência dos fatos mencionados, esperava-se com o fato da posse do vice-prefeito no cargo do Prefeito, sua posterior renúncia e o Presidente da Câmara na linha sucessória assumindo, se previa um clima de paz, o que não houve. Até porque em sendo denunciados, e como diz a linguagem popular processado por práticas criminosas, se espera destes, a busca por técnicas de defesa.

Vale lembrar, que não houve e não haverá o clima de paz devido a frustração de grupos políticos e vereadores que querem ao todo custo reaver suas credibilidades e ao mesmo se defenderem das acusações que lhe são impostas. É aquela máxima, caio, porém atirando.

Relatado tudo isso, infere-se dos vários comentários em rede social que os moradores da antiga Vila Quinari, que vai comemorar seus 43 anos de existência em 14 de maio, esperam por dias melhores, tais como a limpeza, a iluminação pública, operação tapa-buracos e unidades de saúde oferecendo o básico, bem como a correta aplicação dos recursos.

Desta feita, a população sonha com uma conduta ética e proba de seus agentes, porém já sabe que não poderá entrar em “ondas santas” como fez no plano nacional e agora se arrepende.

É forçoso constatar que o povo espera por dias melhores, no entanto, os cenários de todas as cidades não são dos melhores em virtude da economia, por isso caberá à classe política logo olhar e avistar uma população que pede ditadura, enquanto a democracia fora conquistada com tantas lutas. Isso significa nada mais, nada menos que insatisfação.

Concluo que os métodos antigos de barganhas, extorsões e falta de ética com a máquina pública já não compensam, isso à evidência das tantas operações policiais e investigações existentes. Por ora, faz-se mister boa-fé.